Um bocadinho de maldade - ou de malícia - nunca fez mal a ninguém. Muito pelo contrário.
Nunca ouviram dizer Good girls go to Heaven, Bad girls go everywhere?!...
Um bocadinho de maldade - ou de malícia - nunca fez mal a ninguém. Muito pelo contrário.
Nunca ouviram dizer Good girls go to Heaven, Bad girls go everywhere?!...
Sobre que conversam um empresário, um advogado e uma gaja dos números, numa viagem Porto-Lisboa-Porto?
- Negócios.
Sobre que conversam dois homens durante um almoço?
- Fórmula 1.
Sobre que conversam dois homens e uma mulher durante um almoço?
- Sobre a mãe deles.
Pareciam meninos. É bonito.
Um espécie de namorado meu costumava dizer que nós, mulheres, deviamos sorrir mais. Sorrir sempre. Porque os homens eram muito sensíveis a um bonito sorriso. (desta vez passa, não faço comentários...)
Eu costumava responder-lhe, sempre de sorriso nos lábios, que ele devia ouvir os seus próprios conselhos.
Ele ficava uns segundos calado a olhar para mim, acabando por desviar a cara, enquanto lhe saía entre dentes um Que fdp de feitio!...
E aqui, sim, arracancava-me um largo sorriso.
Meninas da minha terra, vocês não acham que os meninos - e principalmente, os homens - da nossa terra sorriem (e riem) muito pouco? Que povinho cinzentão e dado ao dramazinho!...
Ninguém lhes pede que se transformem em gajas, aos pulinhos e às risadinhas, mas que sorriam de vez em quando.
Vá!, experimentem! Juro que não dói! E olhem que, se há pessoa que sabe, sou eu... :)
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Voltaram a não me ligar da minha livraria, a dar-me uma resposta concreta se conseguiam o livro que encomendei ou não. Já estou a ver o filme... Vou passar lá esta semana, não vão ter o livro e eu vou acabar por comprar outro. Cá para mim, já descobriram a minha fraqueza.
Há tempos andei obcecada por Fernando Pessoa. Mas tive que parar. Estava a sentir-me sugada por ele. Não conseguia separar o poeta - a sua poesia, os seus heterónimos - da pessoa - da dor, da angustia, do sofrimento - e da necessidade que sentiu de desfragmentar a sua personalidade, de forma a sobreviver.
Foi, segundo li (e capaz de concordar), psicólogo de si mesmo. E isto, só terá sido possível, superando-se; Sendo mais inteligente do que a sua própria "loucura". (Conclusão de uma leiga, não me fuzilem.)
De qualquer forma, a sua genialidade nunca esteve em causa.
Siga.
Foi por esta altura que eu me apercebi, mais seriamente, da nossa pseudo-sensibilidade; Ou melhor, da insensibilidade de quem lê, do nosso vampirismo.
Lemos uma poema sobre a dor de outrém, sobre o desassossego, e aplaudimos, dizendo que é lindo.
É, de facto, muito bonito.
Há dias, Joana Amaral Dias (psicóloga clínica), publicou um livro, onde analisa os traços psicológicos de algumas figuras históricas, entre elas, voilá!, Fernando Pessoa.
Eu confesso que não nutro simpatia por Joana Amaral Dias. Das poucas intervenções dela a que assisti (porque não consigo), achei-a empertigadasinha e até petulante. Dou-lhe, no entanto, o benefício da dúvida (como se ela precisasse dela), podendo ser aquela postura, mera fachada. Nos meandros em que ela circula não deve ser fácil ser-se tomada a sério. Esta sociedade aberta, pós-moderna, não vê com bons olhos as mulheres inteligentes. Competentes, sim. Inteligentes, nem por isso. Principalmente se, aos dois dedos de testa, cumular dois palmos de cara. E eu concordo. Não é justo.
Contudo também não tenho grandes certezas da superioridade do seu QI. E isso é importante? Claro que não. Pelo menos, para ela.
O livro intitula-se Maníacos de Qualidade. E o meio feitiosinho embirra com ele por todos os motivos e mais algum. Não só com o título mas com o livrinho em si.
Duvido seriamente do acto altruísta de JAD (é modinha! é modinha!) de, finalmente, diagnosticar os males destas figuras históricas, e lhes proporcionar o eterno, e merecido, descanso. E duvido também da qualidade dos seus diagnósticos.
No entanto, curiosa como sou, sinto-me tentada a ler as 54 páginas dedicadas a Pessoa.
Portanto, se eu sair da livraria com este livro na algibeira, prometem que não me chamam traidora?...
"l saw you listening to the Mahler and crying.
You should have seen her.
She was listening to Mahler with tears streaming down her face.
She looked so beautiful. l wanted to hug her."
referência à Segunda de Mahler, em "Melinda e Melinda", de Woody Allen
Uma orquestra perto de nós irá interpretar a mesma, dia 6 de Março, com o Coro Gulbenkian, na Casa da Música.
Adivinhem quem já tem bilhetes para o concerto.
Falta muito?!...
Por falar em Beethoven, deixo Copying Beethoven.
Um filme (argumento ficcionado. Anna Holtz nunca existiu.) que dá para ficar com um leve ideia sobre a pesonalidade vincada e difícil do génio.
Eu gostei. Música por todos os lados...
"No key. It's common time, molto adagio, sotto voce. First violin, quarter notes. Middle C up to A. Measure. G up to C, tied, F. Second violin, bar two. Middle C up to A. Double note E, G, C. Viola clef, 2B pressed. It's a hymn of thanksgiving to God, for sparing me to finish my work. After the pianissimo, the canon resumes. First violin takes the theme. Viola, C to A. It's growing, gaining strength. Second violin, C to A, an octave higher. Then the struggle. First violin, C, up an octave, and then up to G. And the cello, down. Pulled down. Half notes, F, E, D. Pulled constantly down. And then, a voice, a single frail voice emerges, soaring above the sound. The striving continues, moving below the surface. Crescendo. First violin longing, pleading to God. And then, God answers. The clouds open. Loving hands reach down. We're raised up into heaven. Cello remains earthbound, but the other voices soar suspended, for an instant in which you can live forever. Earth does not exist. Time is timeless. And the hands that lifted you caress your face, mold them to the face of God. And you are at one. You are at peace. You're finally free"
PS - Alguém tem, e empresta à menina, o outro filme sobre Beethove, Immortal Beloved? (em português Minha Amada Imortal)
Quem me conhece, ou me acompanha há mais tempo, sabe que o meu compositor de eleição é (Gustav) Mahler.
Descobri Mahler pela Antena2, com Kindertotenlieder.
Aquela música entrou-me directamente pelos poros e eu fiquei imediatamente rendida.
Já não me recordo com precisão, mas hei-de dizer que nesse mesmo dia me dirigi à Fnac para comprar uma gravação desse lied. Adiante.
Vocês também já sabem como eu sou quando me apaixono, gosto de saber tudo o que me é permitido descobrir sobre a pessoa (ou sobre o assunto).
Depois de Kindertotenlieder, descobri Das Lied von der Erde (talvez a minha peça preferida de Mahler. no entanto, sem certezas.). Passei às sinfonias, e quando cheguei à segunda, Ressurreição, também eu renasci. Nunca tinha escutado nada assim. Qual nona de Beethoven! (por favor, não me espanquem pela minha ousadia). O quarto andamento da segunda sinfonia, Urlich, é das coisas mais bonitas que já escutei. E depois, la pièce de resistance, o adagietto. Aqui sim!, não há nada mais bonito, mais emocionante. Gosto tanto, mas tanto do adagietto de Mahler, que se o escutar duas vezes por ano, é muito.
Depois da obra, descobri a vida de Mahler. E, a par disso, descobri Mahler em si, ou seja, a pessoa por trás do compositor. Um sonhador muito inseguro de si e uma vida muito difícil, pautada pela dor da perda.
O ciclo fechou-se e ele foi declarado o meu compositor preferido. Algo de muito inédito em mim, porque raramente tenho certezas suficientes para nomear algo, ou alguém, como meu preferido.
Sigamos.
Pois bem, no ano em que o meu pintor de eleição há anos1 - Claude Monet - conheceu o seu rival - Edward Hopper - , com quem partilha o primeiro lugar do pódio, em ex aequo, Mahler conhece também o seu: Shcumann.
Estou apaixonada por Schumann.
Tudo começou nos primeiros acordes da sua Missa (op. 147), que é espantosamente arrebatadora e contida, ao mesmo tempo. Só grandes génios o conseguiriam.
Ao ler sobre a sua vida, e sobre a sua personalidade, soube da sua história de amor com Clara. Por quem ele teve de lutar vários anos. Uma história bonita. Real. Um grande homem, portanto. Com fim trágico. Enfim, não vos posso contar tudo.
Curiosamente, em Cartas de Amor de Grandes Homens e em Cartas de Amor de Grandes Mulheres, constam algumas das cartas trocadas por eles.
É bonito!...
É bonito porque, ao contrário de muitos destes grandes compositores - quase sempre mentes conturbadas. Shumann inclusive - que pregam o lirismo na suas obras, mas que, na vida real, são personalidadezinhas mesquinhas (Ouviste, Beethoven?!2...), a música de Schumann é real, Schumann é real. Ou poderia ser. E isso permite-me acreditar nela.
1 "pintor de eleição" e "compositor preferido", são coisas totalmente diferentes. pelo menos, para mim.
2 Fui injusta e já me arrependi. Não é assim tão linear. Beethoven ganhou fama de ter mau feitio.Porque tinha uma personalidade muito forte, cheia de si, altos ideais pelos quais se regia, fortes convicções, não sendo fácil o convívio com ele.
"Para Alfred de Musset, 15-17 de Abril de 1834
(...) É, de facto, verdade que não estás doente, que estás forte, que não sofres? Receio constantemente que, por afecto, exageres em relação à tua boa saúde.
(...) Não acredites, não acredites, Alfred, que poderia ser feliz com a ideia de ter perdido o teu coração.
(...) Sei que te amo e é só isso que importa. Olhar por ti, proteger-te de toda a doença, de todas as contrariedades, rodear-te de distracções e prazeres, essa é a necessidade e o arrependimento que sinto desde que te perdi. Por que é que uma tarefa tão doce, e que eu deveria ter desempenhado com tanta alegria, se tornou, pouco a pouco, tão amarga, e depois, de uma só vez, impossível? Que fatalidade tornou em veneno os remédios que eu oferecia? Por que é que eu, que daria todo o meu sangue para te proporcionar uma boa noite de descanso e de paz, me tornei para ti num tormento, numa praga, num espectro? Quando essas memórias atrozes me cercam (e a que hora me deixam em paz?), quase fico louca. Humedeço a minha almofada com lágrimas. Oiço a tua voz chamar-me no silêncio da noite. Quem me chamará agora? Quem precisará da minha vigilância? Como poderei utilizar a força que acumulei para ti, e que agora se vira contra mim? Quanto não necessito do teu afecto e do teu perdão! Nunca me perguntes pelos meus, nunca digas que foste injusto para comigo. Como é que eu sei? Não me lembro de nada, excepto de que fomos muito infelizes e de que nos separamos. Mas agra sei, sinto que nos devemos amar do fundo do nosso coração, da nossa inteligência, para toda a nossa vida, que nos devemos emprenhar, por um carinho sagrado para nos curarmos mutuamente das doenças de que padecemos um pelo outro.
(...) Não foi culpa tua. Obedecemos ao nosso destino, pois nossas personalidades, mais impulsivas do que as outras, nos impediram de asquiecer uma vida amorosa normal. Mas nascemos para nos conhecermos e amarmos, disso podes ter a certeza.
(...) Tu reprovaste-me, num dia de febre e delírio, dizendo que eu nunca te tinha proporcionado os prazeres do amor. Derramei lágrimas por tal reprovação, e agora estou agradada por haver algo de verdadeiro nesse discurso.
(...) Mas quando estiveres sozinho, quando sentires necessidade de rezar de derramar lágrimas, vais pensar na tua George, na tua verdadeira companheira, na tua enfermeira, na tua amiga, em algo melhor do que isso. Pois o sentimento que nos une é feito de tantas coisas que não pode ser comparado a qualquer outro. O mundo nunca o irá compreender. E é pelo melhor. Amamo-nos e podemos estalar os dedos em relação a isso..."
"Eu costumava olhar para estas jovens idiotas, que casavam com o primeiro homem com quem pensavam conseguir viver. E suponho que estava à espera do homem sem o qual não conseguia viver."
Nora Doyle
Bem me parecia que o meu Yarismobile tinha um problema no acelerador. Eu acelerava, acelerava e ele, nada!
Para compensar estes quase sete anos (para o ano vai para a escola. está tão crescido... o tempo passa! são eles que nos põem assim, velhas!) em marcha lenta, quero um iQ.
E não se fala mais no assunto! Combinado, senhores da Toyota?
"Como se não houvesse acto mais egoísta que o de perdoar, partindo do princípio de que o perdão requer uma posição de superioridade moral, por parte do que perdoa."
Uma vez que o livro que encomendei ainda não tinha chegado, porque o rapaz se esqueceu de concretizar a encomenda, e como não queria deixá-lo em maus lençóis perante o seu superior hierárquico, trouxe dois.
Na verdade, é possível que eu seja mesmo totalmente incapaz de sair de uma livraria sem um livro na mão.
O famoso livro referido no filme Sexo e a Cidade - Cartas de Amor de Grandes Homens - passou da ficção para a realidade.
Sendo fã acérrima da série, não podia deixar de comprar o dito.
Lembrei-me disso porque li, algures esta semana, ou na semana passada, que estaria para ser publicado o livro Cartas de Amor de Grandes Mulheres.
E não é que Brunhild se lembrou de perguntar por ele precisamente na véspera de este ser colocado à venda?!
Para compensar o lapso da minha encomenda por fazer, deixaram-me comprá-lo hoje. Eu, como não conseguia trazer as mulheres e deixar os homens ao abandono, trouxe ambos.
Sim, premiei a incompetência... Estava bem disposta.
O livro deles tem um revestimento do tipo capa dura, em tom de castanho, sério e denso, a imitar couro genuíno.
A capa delas tem uma capa folclórica, em tons rosa, com florzinhas e coisinhas assim.
Fica só esta nota. Mais não digo.
Feito o devido enquadramento, deixo-vos aqui a carta que gerou este frenesim à volta do livro, a carta de Beethoven. Embora, talvez prefira as de Keats. E só porque não tive tempo para ler mais.
Bom dia, 7 de Julho
Ainda deitado a minha mente suspira por ti, minha Amada Imortal, de vez em quando alegremente, depois tristemente, esperando o Destino, se ele nos ouvir. Só posso viver ou contigo, ou de todo. Sim, decidi estar o mais longe possível, até poder voar para os teus braços e sentir-me em casa contigo, e enviar a minha alma envolta na tua para o reino dos espíritos - sim, lamento, tem de ser. Vais recuperar ao conheceres a minha lealdade; mais ninguém terá o meu coração, nunca - nunca! Meu Deus, porque é que alguém se há-de separar daquela que se ama tanto, sendo a minha vida em W. tão triste. O teu amor fez de mim o mais feliz e infeliz ao mesmo tempo. Na minha idade preciso de alguma estabilidade na vida - mas poderá isso existir entre nós? Anjo, acabo e saber que há correio todos os dias - devo concluir, para que esta carta te chegue de imediato. Tem calma - ama-me - hoje - ontem.
Que saudades em lágrimas por ti - tu - a minha Vida - meu Tudo - até breve. Oh! ama-me sempre - nunca duvides do coração fidelíssimo.
do teu
L.,
Sempre teu.
Sempre meu.
Sempre nosso.
Às vezes o meu cérebro até estala.
No entanto, superado o abalo, é vê-lo abrir-se e expandir-se...

Liv Ullmann (A Máscara, de Ingmar Bergman)
"I understand, all right. The hopeless dream of being - not seeming, but being. At every waking moment, alert. The gulf between what you are with others and what you are alone. The vertigo and the constant hunger to be exposed, to be seen through, perhaps even wiped out. Every inflection and every gesture a lie, every smile a grimace. Suicide? No, too vulgar. But you can refuse to move, refuse to talk, so that you don't have to lie. You can shut yourself in. Then you needn't play any parts or make wrong gestures. Or so you thought. But reality is diabolical. Your hiding place isn't watertight. Life trickles in from the outside, and you're forced to react. No one asks if it is true or false, if you're genuine or just a sham. Such things matter only in the theatre, and hardly there either. I understand why you don't speak, why you don't move, why you've created a part for yourself out of apathy. I understand. I admire. You should go on with this part until it is played out, until it loses interest for you. Then you can leave it, just as you've left your other parts one by one."
you've been lying in bed for a week now
wondering how long it'll take
you haven't spoken or looked at her in all that time
it's the easiest line you could break
she's been going around with business as usual
always with that meloncholy smile
but you were too busy looking into yourself to see those tiny tears in her eyes
tiny tears make up an ocean
tiny tears make up the sea
let them pour out pour out all over
don't let them pour all over me
how can you hurt someone so much you're supposed to care for
someone you said you'd always be there for
but when that water breaks you know you're gonna cry cry
when those tears start rolling you'll be back
tiny tears make up an ocean
tiny tears make up the sea
let them pour out pour out all over
don't let them pour all over me
you've been thinking about the time you've been dreading it
but now it seems that moment has arrived
she's at the edge of the bed she gets in
but it's hard to turn the opposite way tonight
tiny tears make up an ocean
tiny tears make up the sea
let them pour out pour out all over
don't let them pour all over me
don't let them pour all over me