Parir.
- "(...) e não queres mais filhos?"
- "hum...tive um problema de saúde e não posso."
- " oh que pena."
minto.
porque a primeira vez que disse "não", disseram que estava a ser egoísta, que ele tem o direito de ter filhos (isso eu também acho),e até, que corro o risco de a relação acabar.
curioso, porque as que conheço acabaram depois de chegar o filho.
O passo habitual que costumam dar os homens e as mulheres, os cavalos e as éguas, os bois e as vacas, a formiguinha e o formiguinho, a mim não me apetece.
Esta situação da relação sem filhos torna-se estranha. principalmente num jantar de família quando a minha filha diz à boca cheia, "mas tu não queres mais filhos". mudo imediatamente de assunto, pisco o olho ao meu parceiro, que esboça um sorriso cúmplice ,bebo um golo de vinho tinto e o jantar continua. afinal nós não queremos filhos, ficou esclarecido no inicio desta relação. Nós contrariamos a idéia pré-concebida que um homem e uma mulher juntam-se pela e para a maternidade.
Em tempos fui mãe. pari alguém no seio de uma família ávida de um rebento.
Como todos os seres do mundo que se esforçam por parir, desovar, pôr, chocar, criar, eu com quase 30 anos, tive uma filha.
Fui mãe sem eu própria ter sido filha.
e por isto digo muitas vezes a mim mesma,que eu não nasci para ser mãe. como posso ser mãe se nunca fui filha? como hei-de compreender a minha filha se nunca passei pelo processo ? eu queria ter sido filha, filha para sempre, até ao fim, mesmo velhinha, septuagenária e decrépita, apenas filha.
"nunca em 40 anos, aqui se cantou um espiritual negro, aliás nem deve estar nos estatutos !"
e só me apetece perguntar: porquê ? os negros cantam para um Deus diferente, é?!
e depois desta, vou procurar um coro de gospel, pois não devem ser dados a tanta honra e consideração.
Foto by Ortlinde (Champs Elysees, 2010)
La plus belle avenue du monde!
Paris me manque...
(Hoje fui ao albúm das viagens)
Curiosamente, esta semana desafiaram-me, subtilmente, a ressuscitar Brunhild. Fiz de conta que não percebi... Onde já se viu ressuscitar Brunhild no Natal!? Esta coisa do corte nos feriados deixou os pessoal trocado.
Mas hoje - há poucos minutos, para ser mais precisa - vejo a entrada de dois textos d' A Cavalgada no GReader: surpresa!
Voltar a escrever, que grande desafio!
Tal como a Ort, nada prometo, a não ser tentar.
Volta e meia, nas longas idas e nas longas vindas do trabalho, dou por mim a pensar isto dava um texto para o blogue (existem hábitos que nunca se perdem...).
Toda a gente sabe que a era do blogues já passou. Mas, como fama, nunca foi o objectivo, é isso que proponho: tentar voltar ou voltar a tentar. Mas só de vez em quando, que a paciência - e a disponibilidade - para enfrentar o computador fora do local de trabalho é cada vez menor.
Ah! Eu tento, mas, e mais uma vez, tal como a Ort, escrever à novo acordo ortográfico é coisa pouco consistente, ainda.
eu - amanhã podias passar na Ginoeco e levantar o resultado do raio X
ele - está bem, pode ser às 18h30?
eu - pode
No dia seguinte mensagem no meu telemóvel às 18h40:
"já fui à gino-cenas "
Posso...? não recebi a ordem de despejo e atrevi-me a entrar. Tenho saudades de andar por aqui, de ler os textos da Brunhild, de escrever coisas, ando numa fase estúpida, por isso os textos vão ser um pouco...,estúpidos.
Apetece-me cantar o "Frágil" do Jorge... faz-me um sinal qualquer se me vires falar de mais, eu às vezes embarco em conversas banais" e o resto da letra?! raios que não consigo decorar mais de duas frases seguidas! Mas não foi uma conversa banal que me fez voltar aqui, foi alguém que me disse que teve um blog e que ao mudar a imagem, puf! apagou! um blog de sete anos, fez tudo para recuperar mas não conseguiu. Então falava-me das saudades de escrever, dos comentários, dos amigos que fez , das pessoas que conheceu por causa do "Cristal" ou "Só Cristal"?, não lembro... amanhã pergunto-lhe. E fez com que eu lembrasse de uns meses atrás, de como me divertia a escrever aqui. Da Brunhild, da minha querida Brunhild, que aqui ganhei. Uma amizade curiosa, que não precisa de estar sempre, mas que sinto que sempre está. O presente que me deste ?! ainda não chegou a casa, está a trabalhar o que faz muito bem,porque o anel de diamante não se compra assim com duas tretas. A boa noticia, - para mim, porque pra quem lê não sei se será assim tão boa -, é que eu estou com vontade de andar por aqui. Ah! aviso já que não escrevo à novo acordo ortográfico, é estranho e não se me entranha. E prontus, vou tentar escrever um textozinho estúpido uma vez por semana. eu disse tentar.
E sobre a crise, lembro uma frase de F.Scott Fitzgerald:
"assim vamos teimando, proas contra a corrente, incessantemente cortando as águas, a caminho do passado que não volta"
Aos primeiros trinados da guitarra portuguesa, pele de galinha. Uns quantos fados à frente e as letras começam a surgir. Mas, de onde? Da infância. Dos fins-de-semana passados a ouvir Amália em cassete, durante a limpeza à casa, na avó, interrompida pela ida ao cemitério. Das noites de fados, que surgiam naturalmente, em família. Alguns à desgarrada, outros cantados com lágrimas a escorrer cara abaixo. Revivi e partilhei. E só quando reparei nos olhos admirados que me fitavam, reparei no meu estado enquanto relatava estas estórias. Não é frequente falar de mim ou contar estórias minhas, daí a admiração. Mesmo minha. Sei que tornei as pessoas minhas quando me revelo assim. Só não sei foi a noite de fados que me atirou para este estado, se só o potenciou. E dou por mim a pensar, tal como António Lobo Antunes, no que fizeram ao meu País... Sacanas!
"Mandar-lhe-ei o meu retrato. Quer? Mas até lá, e para prevenir a hipótese do meu rosto a enganar, vou descrever-lhe desde já o meu péssimo carácter: sou triste, imensamente triste, duma tristeza amarga e doentia que a mim própria me faz rir às vezes. É só disto que eu rio, e aqui tem já V. Ex.a no meu carácter uma sombra negra, enorme, medonha: a hipocrisia!... Porque eu pareço alegre e toda a gente gaba a minha... alegria! Estou já a vê-la, num gestozinho de enfado, amarrotar, irritada, a minha carta, com um vago sentimento de arrependimento por querer conhecer uma criatura assim tão mal dotada. Mas ainda este é o primeiro defeito; o segundo, e para o mundo virtuoso e prático é simplesmente horrível, é o sonhar, sonhar muito, olhar muito além, para longe de todos os que cantam, os que falam, os que riem!... Tenho dias em que todas as pessoas me dão a impressão de pequeninas figuras de papel sem expressão, sem vida."
Florbela Espanca, Correspondência
Nada que um chapéu enterrado fundo na cabeça, uns óculos de sol e uma longa caminhada em silêncio, ao frio e à chuva, por entre desconhecidos, possam ajudar a resolver.
Ninguém faz ideia do efeito que as palavras têm em mim. Se o soubessem, não me inundavam com estórias de outros, com problemas que não o são, com mentiras proferidas com a convicção de que diz a mais pura verdade, quando tudo o que preciso é que me deixem em paz, sozinha e em silêncio.
A trabalhar uma média de 11h por dia (e não me estou a queixar, entenda-se; bem pelo contrário...), o tempo livre tem que, a bem da sanidade mental, ser de qualidade. Ou seja, passado com quem gostamos, e nos quer bem, a fazer o que gostamos, e nos faz bem.
Jonathan, vamos? Oupa!, deita-te aqui ao meu lado e (en)canta.
E vim para casa pensar: em que tempo/espaço prefereria viver, se me fosse permitido escolher?...
Nova Iorque, nos anos 70, privando com Woody Allen!
Voilá!
Estou com medo de regressar a esta casa, pois parece que sempre que aqui volto, a minha vida desanda.
No entanto, no fim-de-semana que passou, tive a oportunidade de rever a minha família e de reencontrar Brunnhilde. Não sei se ela ainda mora aqui, mas apetece-me procurá-la. Apetece-me chamá-la, agora que as coisas parecem voltar, ainda que lentamente, ao lugar. Assim, arrume-se a casa!
E se, quando encarnei Brunhild, o fiz pelo caráter guerreiro da personagem (e pela historieta de amor, pois claro), ao rever, há dias, o ciclo d' O Anel do Nibelungo, a escolha, ainda que inconsciente, pareceu-me certeira em todos os sentidos, na medida em que se revelou ser mais profunda.
Sim, as injustiças continuam a revolver as entranhas e, pelo que acredito, sou capaz de lutar, enfrentar seja quem for e de levar, a decisão, até às últimas consequências.
Sim, queimo-me amiúde. E, ao contrário do que seria de esperar, dói sempre como se fosse a primeira queimadura.
Mas antes assim do que a alternativa: criar pele de sapo.
Desejem-me sorte (embora não acredite nela), e vamos lá regressar às cavalgadas!
Será que ainda me lembro como se faz?...
Vou mudar de nome (e de personagem). Vou deixar de ser Brunhild e passar a ser Minerva.
Porque, de facto, me enerva!