Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Magoaste-me de cada vez que me testaste, ora corrigindo textos que ambos sabiamos estarem mais do que correctos, ora duvidando do meu empenho em te conhecer e descobrir; Ou quando te recusavas a ver e receber os mimos que te tentava dar, e, principalmente, quando te esquecias que me conhecias e me julgavas pelos actos de outras; Quando me julgavas leviana no que dizia ou fazia, como se o fizesse de leve ânimo.

Tinhas razão.

 

Quando te magoam, tu gritas, exasperas, cobras, punes. É essa a tua natureza. É a tua forma de curar feridas, crescer e renascer, ainda mais forte.

Esqueceste-te de que a minha natureza de cachopa-menina, quando me magoam, é a de me fechar em copas e definhar em silêncio? É essa a razão pela qual os meus silêncios são tão perigosos. E, dependendo da magnitude do acto ou da falta de atenção, ou esqueço e perdoo (na minha cabecinha eu é que tinha de perdoar, eu era sempre a vítima), roubando um pedaço à confiança, ou risco a pessoa da minha vida, para nunca mais entrar.

 

Testaste-me os limites, diverte-te fazê-lo. Gostas de me provocar, de me levar à loucura, de deixar-me cega, de me ver exposta, para depois me içar. Gostas desse poder que exerces sobre mim. Sabes que fico doente por me sentir assim vulnerável e à mercê de alguém. Mas mesmo assim, não te coíbes de o exercer sempre que te apetece.

Só que naquele tempo, eu ainda não tinha desmontado o esquema. E cada provocação, cada alfinetada, cada puxão de orelhas, era, qual menina mimada a quem ninguém pode chamar a atenção, levado a peito. E, como qualquer menina mimada, voluntariosa, caprichosa, com a mania que só faz o que quer, batia o pé, amuava e batia a porta.

Fazia a minha birra, dramatizava, arrependia-me, tentava um agrado ou uma piada, sorria e voltava. Era o que fazia com as outras pessoas. Porque não haveria de o fazer contigo?

Talvez por saberem que tenho bom coração, que não faço isto por maldade, sempre saí impune. E nunca alguém me fez ver que isto que eu fazia, pode magoar ou magoava mesmo. Excepto os meus pais, não com esta clareza. Mas pensei que fossem daquelas coisas que os pais dizem aos filhos, como vê lá se estudas e tiras boas notas.

 

Magoei-te.

Desiludi-te.

E ainda por cima comportei-me como uma cachopa.

Egoísta, só pensei em mim, na minha dorzinha, nos meus medos, no que estava a sentir, no medo de te perder. Tudo girou à minha volta.

Não vi o quanto te magoei, o quanto te magoava, nem no quanto sofrias. Só consegui ver a minha parte, só consegui ler o que me dizia respeito. Não vi o alcance de tudo o que me dizias, não vi o teu lado, não li a tua parte.

Sempre esteve à minha frente e só agora! me apercebi disso.

 

Desculpa.

 

Eu posso pedir-te desculpa as vezes que quiseres, mas sei que não é isso que queres. Queres que tome consciência e que mude. Eu mudo.

Mudo por mim, principalmente. Porque quero crescer.

E mudo por ti, por teres acreditado em mim, por não teres desistido de mim. Não desististe, pois não?...

 

Sem dúvida, a maior prova que me deste, a que me faltava descobrir e que sempre esteve à minha frente.



publicado por Brunhild às 16:53 | link do post | comentar

mais sobre mim
cavalgadas recentes

Álbum: raízes

hold on to your dream

O efeito Gabriela

Cindafuckin'rella, precis...

Sonata de Outono

Olá!

...

paradoxos, incongruências...

espreitar

não gosto

ás vezes

O supremo verbo da humani...

as coisas que eu ouço

e esse Natal, como foi ?

Albúm de fotografias

reencarnação deferida

retratos da vida a 2

Toc Toc ?

leva-me aos fados

in a dark place #1

comentários recentes
A perda não foi minha. Esta, pelo menos. Mas um di...
Vive-se segurando a dor na dor dos outros. Tentand...
ah pois é! :)
ahhhh... a bela juventude!!! :P
e tu achas que eu não penso nisso? tenho mais medo...
porque alguém - Walt Disney?! - nos disse que para...
a ver por algumas parideiras que por aí e por aqui...
sim, se assim não fosse a humanidade não existia. ...
Maria, obrigada por leres o nosso blog. Beijinhos
Qual é o supremo verbo da humanidade, parir?!...Se...
outras cavalgadas
cavalgadas arquivadas
subscrever feeds