Porque é que os advogados não falam a mesma língua dos comuns mortais? Teimam, porque teimam, em aplicar aqueles termos técnicos que ninguém percebe ou que ninguém usa.
Alguém os informa, por favor, que a linguagem visa a comunicação. E a comunicação pressupõe transmitir algo.
É impossível transmitir algo quando o emissor usa uma linguagem que o receptor não domina!
Querem um exemplo prático? O Jorge Sampaio, o nosso ex-Presidente, licenciado em Direito. Sempre que o homem começava a dircursar, com aqueles palavrões tipo camião TIR mais atrelado, eu começava logo a bocejar.
E pergunto-me, quantos portugueses terão conseguido perceber o que ele dizia?!
Também, que interessa isso, se o povo português vota pelo "ar" dos políticos e não pelo que eles dizem. Porque eles dizem todos o mesmo. Aliás, que interessa o que eles dizem?! Se eles nunca cumprem! Não é?
Fui educada pelos meus pais a nunca mentir e a cumprir a minha palavra. Não prometer o que não estaria ao meu alcance fazer. Mas, se o fizesse, teria que cumprir. Désse por onde désse. Caso não o fizesse, no mínimo, um pedido de desculpas.
Ou seja, ensinaram-me a medir sempre o que digo/faço antes de o dizer/fazer. Porque existem consequências. Quer das nossas palavras/actos, quer das nossas não-palavras/não-actos. Consequências essas pelas quais sou responsável. Sob pena de perder palavra, a honra, a confiança dos outros.
Conceitos estes perdidos pelos políticos. E porquê?! Porque não são responsabilizados pelos seus actos. Fazem o que querem, sem sofrerem as consequências. Estas, quem as sofre, somos nós. Nós calamo-nos, não lhes exigimos um pedido de desculpa, nada. Os que vierem a seguir, fazem o mesmo. Pois claro!
Pois, eu sei. Esta linguagem - nunca mentir, ter e cumprir palavra, honra, responsabilidade, consequências, confiança - é uma língua morta. Pouco ainda a falam e compreendem.
Pergunta: valerá a pena insistir nela?!...