Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Em 30 anos de festival, nunca fui ao Fantas. Nunca!

 

Sempre associei o Fantasporto ao cinema fantástico e de terror. Não sei porquê. E como não aprecio esse género de filmes, convenci-me que não ia lá fazer nada.

Mas, segundo me disseram, de há uns anos para cá, nem só de cinema fantástico e de terror tem sobrevivido o Fantas. Pelos vistos, procurando abranger mais público, o festival abriu-se a outros géneros. Tendo sido retirado, inclusive, o “fantástico” ao festival, tendo passado a chamar-se somente Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto.

 

Segundo me contaram, ainda no ano passado, ante-estreou por lá Palermo Shooting, de Wim Wender (que, como sabem, é um fantástico realizador de fantásticos filmes).

Filme esse que, só por um mero rasgo de sorte, consegui apanhar, posteriormente, nas salas de cinema, normais.

 

Quase convencida, mas ainda de sobrancelha levantada, resolvi consultar a programação.

Fui ao site.

 

Eis a minha surpresa quando, ao consultar a lista de filmes do Fantas2010 (num site pouco apelativo e pouco funcional, mal sistematizado, onde é difícil encontrar a informação que se procura), deparo com retrospectivas de cinema francês e cinema suiço, entre outras coisas também interessantes, para mim, não apreciadora de cinema fantástico e de terror.

Afinal, não me tinham enganado.

 

Tentei, imediatamente, comprar bilhetes para as retrospectivas. Não consegui!

Os bilhetes são vendidos individualmente para cada sessão e são colocados à venda somente no dia anterior à respectiva sessão, a partir das 13h, no Rivoli. Só. E nem aceitam reservas.

Ora, não trabalhando, nem morando, na zona do Porto (e que trabalhasse/morasse), não tenho possibilidade (e mesmo que tivesse) de me deslocar à baixa do Porto, para propositadamente comprar bilhetes para ir ao cinema.

Já para não falar no custo! Obrigarem-me a que me desloque ao Rivoli duas vezes para assistir a um filme é inadmissível. Sim, eu poderia comprar o bilhete no próprio dia. E correr o risco da sessão estar esgotada e perder uma viagem. E tempo. E o meu tempo, principalmente o de lazer, é precioso.

Na verdade, nem por uns sapatos lindos de morrer, a metade do preço, eu teria tanto trabalho. Quanto mais por uma ida ao cinema.

Assim sendo, desisti.

Para ser muito sincera, perdi a vontade.

 

Eu sei – ou li - que o festival tem falta de meios (leia-se apoios) e que sobrevive - alegadamente - à custa do amor à camisola e da boa vontade duas pessoas.

Eu, sinceramente, não acredito nessa visão romântica do festival.

Eu acho que o festival, ou a (des)organização do mesmo, sofre de falta de visão, pensa pequeno, é - e continuará a ser - provinciano. Apesar do “Internacional” do título.

Acho que, no fundo, é da sua vontade que o festival continue a ser elitista, feito para uma minoria - composta maioritariamente por realizadores, actores, críticos, jornalistas e outros credenciados que tais, que não pagam bilhete - para poderem continuar a fazer o choradinho do coitadinho e do pobrezinho, do somos tão bons (e antigos) e ninguém nos dá nada.

Quem me conhece sabe que eu não suporto este género de discurso.

O festival devia focar-se no cinema e no público. Não em politiques, egos, reconhecimentos públicos e passadeira vermelha.

Eu, como parte desse público (ou potencial público…), sinto-me posta de parte. Como se a minha presença não fosse bem-vinda, como se fosse invadir uma festa privada, como se tivesse que pedir para me deixarem assistir a um filme. E só vou, para tentar desmistificar esta minha ideia acerca do festival, e porque um amigo, fantasportista convicto, que todos os anos compra o livre transito (algo impensável para uma valquíria, que precisa de se vestir e, principalmente, calçar), me fez o favor de comprar o bilhete, ontem. Caso contrário, não ia.

 

Resumindo e concluindo, que eu empolguei-me e o texto já vai longo…

Logo vou pela primeira vez ao Fantas. Um fantástico festival de cinema (não só mas também) fantástico, de carácter provinciano mas com manias de Internacional.

E que termina no próximo sábado, com a habitual festa de encerramento – o Baile dos Vampiros – que, curiosamente, (já) não tem vampiros.

 



publicado por Brunhild às 13:41 | link do post

De Ortlinde a 4 de Março de 2010 às 08:31
O Dorminsky ainda anda por lá?! Ele que te ouça Maria Brunhildi !


De Brunhild a 4 de Março de 2010 às 09:42
Que medo!...
(Por acaso ele é um bocadinho assustador...)

Fui mazinha? Fui! Era essa a ideia. (Eu só sou mazinha com aqueles que gosto. Nunca se esqueçam disso.)
Exagerei? Claro!
Disse alguma mentira?!!...



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