Segunda-feira, 8 de Março de 2010

Não suporto estereótipos! Não suporto que se cataloguem pessoas.

Nem gosto de discussões do tipo Guerra dos Sexos. A não ser que sejam provocaçõezinhas...

No entanto, Miguel Esteves Cardoso toca em algumas feridas. Com a ligeireza que o assunto requer, claro.

 

 

 

 

O Segredo dos Homens

 

«Os homens são todos iguais. É este o segredo. Apesar das mulheres serem todas diferentes. Se os homens fossem todos diferentes, as mulheres seriam felizes. E os homens odiar-se-iam, como as mulheres se odeiam. E seriam ainda mais infelizes que as mulhe­res. Porque são menos espertos.
Os homens são brutos e insensíveis. Matam mais criancinhas, portam-se pior à mesa, cospem e coçam-se mais. Os homens — e sobretudo os homens que gostam de mulheres — são menos inteligentes, menos delicados e menos civilizados que as mulheres. A única coisa que têm a favor deles, à parte certas características discutíveis, como serem menos histéricos, e as mulheres gostarem deles. Porque é que as mulheres gostam dos homens? Como fufa que sou nunca percebi.
Eu gostaria de viver num mundo constituído exclusivamente por mulheres. Queria que as mulheres governassem, dessem ordens aos homens, mandassem, impusessem a sensibilidade delas aos problemas do mundo. Não haveria tantos desmandos nem tantas guerras. As artes floresceram. As mulheres têm mais juízo. Os homens são sonhadores e malucos. As mulheres são Benazhir Bhutto. Os homens são Saddam Hussein.
Queria que só houvesse meninas, velhas, miúdas, senhoras, mulheres de todas as idades e feitios. O Paraíso seria um enorme colégio de raparigas. Mais uma meia dúzia de amigos, que de qualquer modo poderiam passar para o sexo feminino sem perderem uma única qualidade.

É mais fácil ser homem, porque se é mais respeitado, menos incomodado, e de qualquer forma mais forte e maior. As nossas mães gostam mais de nós. Podemos entrar em mais lugares, a mais altas horas da noite, beber mais copos e fazer mais estragos e asneiras, que somos mais compreendidos e perdoados. É injusto, mas é mesmo assim.
É este o segredo. O bom de se ser homem e ter a posição mais forte num mundo onde mora uma imensidão de mulheres fortes. É sorte nascer-se menino. É mais difícil ser-se menina. Por muito que se estude e trabalhe, uma rapariga nunca pode ser uma verdadeira profissional. Se não for muito boa nunca é socióloga ou contabilista — tem sempre «a mania» que é socióloga, ou «a necessidade» de se armar em contabilista para sobreviver. Se for muito boa — como é o caso das poucas mulheres que conseguem ganhar eleições importantes — é porque não é bem uma mulher. É mais um homem. É o fenómeno Thatcher/Pintasilgo.
O feminismo está fora de moda, mas nunca teve tanto cabimento. O único defeito do feminismo foi culpar os homens. As mulheres é que são as principais responsáveis. Cada mulher julga que é a única mulher realmente esclarecida e competente. O resto, fora uma ou outra amiga, é só galinhas.
Um homem nunca diz tão mal das mulheres como uma mulher. Um homem tem medo das mulheres. Corre atrás delas quando elas não o querem para nada e foge delas caso alguma delas o queira. Mas aprendeu a respeitar as mulheres. Isto é, a não compreendê-las e a levar no coco. Repetidamente.
Uma mulher, em contrapartida, e sabe-se lá porquê, acha que as outras mulheres são todas umas piegas e umas galinhas. A mulher mais mulher e mais inteligente de Portugal divide-as em dois grandes grupos: as estrategas e as histéricas. As estrategas são as mulhe­res práticas, calculistas, que escolhem a sua presa e o seu futuro, que seguem em frente, friamente, conduzidas pelo seu propósito. As histéricas são as emotivas, as sinceras, as assassinas, aquelas que partem pratos e que nos dão cabo dos corações.
De qualquer modo, são as mulheres que menosprezam as outras mulheres. Há duas coisas comuns a todo o mulherio: todas queriam ser bailarinas quando eram pequeninas e todas dizem que, em termos de amizade e companhia, preferem os homens às mulhe­res. Os homens ainda são mais simples.
Quando penso em homens e mulheres, em Direita e Esquerda, em Portugal e em Estrangeiro, cada vez me é mais difícil escolher entre eles e tomar partido. Cada vez me convenço mais que uns e outros são igualmente maus. Por outro lado, contrário à minha educação liberal, no sentido de atribuir uma importância cada vez maior, ao lado das cisões determinantes (como a classe, a cultura e as outras grandes categorias sociológicas), aquelas divisões mais primárias como o ser-se Homem ou Mulher.
Numa frase: nunca percebi porque é que são os homens que estão no poder. Agora já percebi. Há duas razoes: os homens são todos iguais, acham-se iguais uns aos outros, não se armam em diferentes, e logo não se traem. As mulheres, sim. Acham-se diferentes, concorrentes, e logo traem-se. Os homens amigos não dizem mal uns dos outros.
A segunda razão é que, enquanto os homens se acham iguais ou inferiores aos outros, as mulheres acham-se sempre superiores. Logo: os homens estão unidos, as mulheres estão divididas. E como quem se une faz a força...
Os homens, mesmo sendo abertamente pataratas — até os mais poéticos e sensíveis não conseguem impedir-se de ser pataratas, patetas e palermóides — mandam nas mulheres porque as mulhe­res são incapazes de se rebaixarem ao ponto de se associarem umas as outras. As mulheres, que são individualmente magníficas, são colectivamente inexistentes.
A única estupidez das mulheres, a única autêntica galinhice, é acreditarem na estupidez das outras mulheres. Os homens são como aqueles broncos, brutos, que se juntam, que cerram fileiras, que militam ombro a ombro, proletários à moda Eisenstein, e assim ganham batalhas contra as mulheres, inteligentes, civilizadas, supe­riores mas separadas.
Os homens são todos iguais, até na maneira de gostarem das mulheres. É a nossa única superioridade. Um homem, quando ama uma mulher adora-a. Uma mulher, quando ama um homem, aceita-o.

Um homem vê todas as mulheres na mulher que ama. A mulher esquece os outros homens. Um homem ama e respeita uma só mulher. Uma mulher limita-se a amar só um.
As mulheres precisam de organizar-se. Precisam de aprender a apreciar-se. Precisam de amigas. Precisam de ir almoçar com elas, despachar garrafas de vinho branco, confiarem umas nas outras, empifar-se. As mulheres são muito sábias e muito sensíveis, mas têm o grande defeito de sobrevalorizar os homens. Mulheres de Portugal — convençam-se de uma vez por todas. Nós os homens podemos ter mais graça, mas somos muito piores, muito mais rascas, muito mais ignorantes, muito mais básicos; no fundo muito menos homens do que vocês. Vejam lá isso. E, se não virem, tanto melhor.»



publicado por Brunhild às 17:30 | link do post | comentar

2 comentários:
De Eduardo a 8 de Março de 2010 às 23:38
Por alguma simpatria que possa nutrir por este individuo que por modernismos adoptou as siglas MEC, aponto muitas (demasiadas) reticências ao que aqui foi postado. Em alguns momentos chega quase ao zénite da verdade para logo de seguida lhe dar um biqueiro e a chutar para canto com uma postura de pseudo-semi-deus...assim não vamos lá sr. MEC. Não às linearidades por favor.


De Brunhild a 9 de Março de 2010 às 12:06
Em primeiro lugar, não tenho a certeza de ter sido ele adoptar as siglas MEC. Penso, mas posso estar enganada, que foram os seus fãs que o fizeram.
Em segundo lugar, é uma crónica! :)
E em terceiro lugar, eu encaro essa postura do MEC como uma estratégia. Não importa o que és, importa o que aparentas ser... Que funciona! ;)


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