Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Ontem conversava com a Grim sobre o grande sonho dela: o de ser mãe. Compartilho muitos sonhos e aspirações com ela, mas esse, não é um deles. Perdi a ideia romântica que tinha acerca da maternidade. (Ou seria da humanidade?!...)

Mas regressei a casa a pensar naquilo... Onde a terei perdido?!

Hoje de manhã, fizeram questão de me lembrar.

 

Adoro crianças. Nos tempos que correm quase soa mal dizer isto mas, a verdade, é que adoro mesmo.

Ver o mundo pelos olhos delas é rejuvenescedor.

Poucas coisas soam melhor do que o riso dobrado de uma criança. Há poucas coisas mais belas (se é que as há...) do que o olhos brilhantes de uma criança quando olha para as pessoas de quem gosta. Há poucas coisas mais enternecedoras do que as suas questões ingénuas.

 

Se ser mãe não consta nos meus planos - a curto, médio ou longo prazo -, não é sequer pelo egoísmo que alego recorrentemente (por não querer abdicar das minhas curvas, da minha estabilidade financeira, das minhas horas de sono ou da minha liberdade), ou por ter deixado de acreditar que um dia vou encontrar alguém por quem me vou encantar e apaixonar. Afinal, não se começa a construir uma casa pelo telhado.

Os motivos reais, são outros. Na verdade, eu não acredito conseguir criar um ser sem lhe incutir os valores pelos quais me rejo, e nos quais acredito. Fazendo-o, duvido muito que ele/ela sobrevivesse a este mundo. E, se mesmo assim ele/ela conseguisse, não acredito que conseguisse ser feliz. Então, para quê?!

 

Quando fiz trinta, o instinto maternal inundou-me com toda a força. Ao ponto de eu pensar em, sozinha, adoptar uma criança. Esta, sim, uma ideia que ainda não está posta de lado. Afinal, estaria a fazer precisamente o contrário: a retirar uma criança ao mundo.

Mas depois, pensei. E o meu pior defeito é esse: pensar. Pensei se o estaria a fazer pelos motivos certos. Se o estaria a fazer por altruísmo ou por egoísmo. É que talvez não se tenham apercebido quantas vezes estes dois andam juntinhos, juntinhos...

 

Sim, é possível que, sem querer, tenha escrito o primeiro de muitos posts sobre o egoísmo.



publicado por Brunhild às 13:42 | link do post | comentar

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