Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Passeio-me por lá, por onde jazem os queridos mortos mais vivos, sorrateiramente. Leio tudo, tudinho. E, inclusive, escuto as suas conversas.

De tanto gostar nem sou capaz de intervir. Nem mesmo para dizer que gosto, muito. O que mais gostamos guardamos para nós, para que seja nosso, só nosso, não é?

 

A sensação que tenho é a mesma de há muitos anos atrás, era eu nem meio metro de menina, quando escapulia para o meio deles, outros, os matulões.

As bonecas não conversavam comigo e eu, amuada, não brincava com elas. O que eu gostava era de estar com eles.

Todos muito maiores do que eu, eles já não brincavam, conversavam. E eu, como não falava, cantava, com um fiozinho de voz e olhar sempre colado ao chão.

 

Isto para dizer o quê? Para dizer que a Eugénia iniciou uma nova rubrica por aqueles lados, coincidência das coincidências, intitulada como este post. E eu fiquei a pensar que nada tinha de lindo de romântico para dizer ao Grande Amor. A culpa é do Verão!, que proporciona mais transpiração do que inspiração.

Então, lembrei-me de mim pequena, novamente: Podia cantar-lhe!

Como?

Apanhando-o distraído - as coisas lindas de românticas devem ser preparadas como se de uma festa-surpresa se tratassem-, enquanto ele assitia a um qualquer jogo do Mundial, sem som, por causa do inferno das vuvuzelas.

Ligava a música. John Grant, pois claro, se quando eu gosto é a todo o momento, até enjoar ou até entranhar-se para sempre, tornando-se parte de mim.

Sentava-me coladinha, porque o Verão é transpiração, lembram-se? E trauteava, num fiozinho de voz, na direcção do ouvido do cabeça no ar.

 

O Grande Amor seria tanto maior quanto menor fosse o tempo que ele (ainda) continuasse a assistir ao jogo.

 

 

 

Caramel - John Grant



publicado por Brunhild às 00:02 | link do post | comentar

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