Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Tinha cinco anos quando Michael Jackson lançou Thriller. Era demasiado novinha para perceber o fenómeno e, em termos musicais, ainda ouvia Onda Choc, Ministars e Ana Faria e os Queijinhos Frescos.

Ou seja, o fenómeno MJ, a importância que ele teve, a forma como quebrou barreiras, como abriu caminho e como inovou, o seu contributo musical e não só, tudo isso me passou ao lado, porque não acompanhei o antes e o depois.

Só nos últimos dias, ao assistir a alguns especiais sobre ele, consegui colocar tudo em perspectiva.

Contudo, ao assistir às suas entrevistas, rever concertos, ouvir testemunhos de pessoas com quem privava, ler a sua biografia, o que mais me prendeu a atenção, não foi o fenómeno MJ, mas sim, o próprio, a pessoa por trás do fenómeno.

 

Aqui há tempos, vi no Youtube, MJ cantar Who's Loving You, ainda nos Jackson 5.

É arrepiante! Como é que alguém daquele tamanho consegue cantar uma música daquelas com tanta alma?!

E imaginar que aquela mesma criança sofre maus tratos em casa e, por isso, vive aterrorizada por causa do pai.

Conseguem imaginar o que significa para uma criança com aquela idade e com aquela sensibilidade, temer o próprio pai? Ou seja, não ter uma figura paterna.

Não me admira que ele tenha ficado preso àquele tempo, que se recusasse a crescer. Pois se a sua infância, além de traumática, lhe foi roubada...

Não me admira que sempre tenha sido sensível às questões das crianças e por isso tenha vivido rodeado por elas. E não, não acredito em nenhuma das acusações que lhes foram feitas. Para que conste.

 

Conseguem imaginar o que é alguém crescer com essa carência afectiva sempre presente? E, no caso dele, não saber se quem se aproximava dele o fazia por ele ou pelo que ele representava. Viver sob o holofote da fama e, ao mesmo tempo, viver com esse sentimento de vazio e de solidão?

 

E, no entanto, não existe ponta de raiva, revolta ou ódio. Preferiu isolar-se em Neverland...

 

Assisto às suas entrevistas e fico pequenina. O seu olhar, o seu sorriso, o tom em que fala, tudo mexe comigo.

Para mim, é uma pessoa demasiado sensível para este mundo... Sou fã.



publicado por Brunhild às 12:27 | link do post | comentar

1 comentário:
De Bruno a 8 de Julho de 2009 às 14:05
Concordo plenamente e simpatizo com o que escreveste.

E aquele primeiro parágrafo sou eu! ;) eheheh

O Thriller pela Ana Faria e os queijinhos frescos era muito à frente, mas o MJ quando baixa a cara e depois revela aqueles olhos amarelo-lince e as dentolas enormes ainda hoje me deixa apavorado! :D


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