Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Na verdade, a minha hora de almoço deixou de dar um blogue. É curta. Dá para fumar um cigarro, sempre sentada na soleira da porta, comer qualquer coisa e pouco mais. E é nessa pausa para o cigarro que eu observo os miúdos, que vão passando por mim, no seu trajecto escola-mercadinho, para comprar gomas. Dá dó! Eu, com os meus trinta e quatro anos, chego a corar - não se se por embaraço, se por vergonha; quase a mesma coisa - com as conversas deles. Que os miúdos sejam rufias, ainda vá. Mas ver as miúdas a serem piores do que eles, entristece-me. Entristece-me sempre ver as mulheres perderem a qualidade que as distingue dos homens: a sensibilidade.

 

Puxa!, não deve ser - não é! - tarefa fácil ser mãe/pai nos dias que correm. E ainda se admiram, e não me levam a sério, assumindo que é conversa despeitada, quando digo que não quero ter filhos. A minha mãe chama-lhe egoismo. É uma decisão tanto egoísta como a decisão de os ter.

Como se educa - e prepara - uma criança para sobreviver neste mundo?

Preocupa-me, muito, pensar na doce Inês e na sua sensibilidade fora de série, no que ela irá ter que enfrentar, como irá ser, e no papel fundamental que a mãe, minha melhor amiga, desempenhará. Protejê-la, como os meus pais me fizeram, garanto, não adiantará de muito. Mais cedo ou mais tarde, a bolha rebenta e acabamos desamparados, sem protecção e pior, sem saber como fazê-lo.

 

Em momentos assim lembro-me sempre de um poema de Maria do Rosário Pereira... "eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo".



publicado por Brunhild às 13:32 | link do post | comentar

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