Quinta-feira, 10 de Março de 2011

Se há expressão que me causa arrepios é o "Amo-te".

O que é que significa, "Amo-te"?!

 

Num momento de êxtase: "Amo-te", como quem diz "Obrigada". Ao qual apetece responder "sempre às ordens".

No calor de uma discussão: "sabes que te amo, o resto é conversa", como quem diz está mas é calada e não me chateies o juízo; Ou no fim da mesma discussão, como "desculpa".

Antes de adormecer: "Amo-te", como se não existisse "Boa noite". E de manhã, substituindo o bom dia.

No fim de um mail, de uma sms... não há beijos virtuais para ninguém.

Num momento de optimismo: "vou amar-te para sempre", mesmo quando a tua ausência faça da minha vida um verdadeiro inferno. Garanto! Ou, noutra versão, "amo-te como nunca amei ninguém", até aparecer outra pessoa que me trate melhor do que tu; E nem é preciso muito.

Num momento de carência: "eu amo-te mais do que tu a mim", em substituição do "abraça-me" ou "beija-me".

Ou, o pior de todos, o "Amo-te" desesperado: eu sei que tu não me ligas pevas mas eu vou continuar a dizê-lo, tantas vezes quantas precisas, na esperança que as minhas palavras provoquem uma combustão a nível dos neurotransmissores. Porque eu "amo-te" mesmo. Muito. Muito. Muito.

 

Conclusão, o "amo-te" é uma colher de pau.

 

Para mim, estes "amo-te", assim disparados, têm mais a ver com a ideia do amor, com a sua idealização, do que com o amor em si mesmo. E não me apetece aprofundar mais do que isto.

Não partilho a ideia cor-de-rosa hollywoodesca do amor na sua vertente "eu amo-te e tudo vai ficar bem". Para mim, o amor fica mais para os lados do que a personagem de Anna Karina diz em Alphaville, de Jean-Luc Godard (ver vídeo uns posts abaixo).

Mas, quando me dizem que eu profiro estas barbaridades porque nunca amei, eu aceito. Não concordo, mas aceito. É possível. E, enquanto viver, estou sempre a tempo para mudar de ideias.

 

 

 

 

Como em tudo na vida, não basta dizer, é preciso concretizar - porque de boas intenções está o inferno cheio -  mas...

[E esta eu vou dar de borla!]

Há uma (outra) frase capaz de me causar calafrios, dos bons:

 

Quero estar contigo!

 

Olhos nos olhos, então... é garantido um curto-circuito a nível dos neurotransmissores!



publicado por Brunhild às 15:11 | link do post | comentar

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