Estou a um capítulo do fim de "A Mulher de Trinta Anos" de Honoré de Balzac. Tenho a andado a protelar o seu fim há dias. Há muito, muito tempo, que não lia um livro de que gostasse tanto. Se é existe um que tenha lido e que me tenha dado tanto prazer ler. Ao ponto de ler passagens repetidamente. O livro parece ter sido atropelado por um camião TIR, todo sublinhado, com orelhas feitas de post-its e outras folhas devidamente marcadas.
Balzac absorveu-me por completo. A forma como ele dissecou a mente da mulher e como ele a consegue compreender e, acima de tudo, descrevê-la, é impressionante. Só ao alcance de poucos. Haverá mais algum?! Só um homem com uma sensibilidade muito especial e com uma capacidade analítica muito peculiar, a conseguiria passar para o papel de forma tão sublime. E duvido existir mulher que o conseguisse fazer. Porque sim.
Todas as dissertações que li acerca da alegada mulher balzaquiana, ficaram aquém do que eu considero ser uma mulher balzaquiana, depois de ler o livro. E não foram poucas. Li praticamente tudo o que me apareceu à frente. Acho, inclusive, que a sua compreensão estará ao alcance de muito poucos. E poucas. Infelizmente.
Tivesse eu o dom da escrita e faria a minha própria dissertação acerca do assunto. Não tendo, guardo-a para mim.
Este será um livro que ficará na cabeceira da minha cama por muito e muito tempo. Não tenho dúvidas disso. E aconselharia que todos o lessem, se achasse que a sua essência fosse inteligível a todos. Não é. E não é pretensão minha.
E, perguntam vocês, bisbilhoteiros de algibeira, o que se segue?
Pois bem, depois de ter sido abalroada por este intemporal clássico da literatura - perdoem-me a redundância - seguir-se-à filosofia contemporânea, numa temática sobre a qual me debruço há algum tempo: o culto da felicidade.