Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

A primeira vez que entrei no então Estádio das Antas, há muitos séculos atrás, foi pela mão do meu pai adoptivo. Almofada na mão, feita pela mãe adoptiva, azul, como convém.

Bichinha do buraco que era (sou) aquela multidão fazia-me muita confusão, ao mesmo tempo que me deixava quase em êxtase, mesmo sem perceber muito bem o que ali se passava.

Em minha casa não se via futebol, não se discutia futebol. Sabia que era do Porto porque era a equipa da minha cidade. A facção benfiquista da minha família ainda me tentou manipular mas, para mim, não fazia sentido ser de uma equipa de outra cidade que não fosse a minha. Além disso, era a equipa que ganhava!

 

Na altura assistiam-se ao jogos de pé. E eu, meia leca de gente, não via nada.

Então, ficava a olhar a multidão, a tentar perceber o que cantavam, a tentar entoar a melodia e cumprir o que me incumbiram: gritar "golo" quando toda a gente o fizesse.

 

Curiosamente, hoje, enquanto festejava mais um campeonato, desta vez para os lados do Dragão, dou por mim a recordar esses tempos e a pensar no quanto continuo a mesma: toda a gente salta, toda a gente grita, toda a gente extravasa, e eu limito-me a ficar lá, num orgulho desmedido, numa alegria contida, a fixar os olhares brilhantes, os sorrisos abertos, os abraços apertados, os berros levados até à rouquidão.

 

Não podia ser de outro clube, tal como não podia ser de outra cidade.

 

 



publicado por Brunhild às 00:00 | link do post | comentar

mais sobre mim
cavalgadas recentes

Álbum: raízes

hold on to your dream

O efeito Gabriela

Cindafuckin'rella, precis...

Sonata de Outono

Olá!

...

paradoxos, incongruências...

espreitar

não gosto

ás vezes

O supremo verbo da humani...

as coisas que eu ouço

e esse Natal, como foi ?

Albúm de fotografias

reencarnação deferida

retratos da vida a 2

Toc Toc ?

leva-me aos fados

in a dark place #1

comentários recentes
A perda não foi minha. Esta, pelo menos. Mas um di...
Vive-se segurando a dor na dor dos outros. Tentand...
ah pois é! :)
ahhhh... a bela juventude!!! :P
e tu achas que eu não penso nisso? tenho mais medo...
porque alguém - Walt Disney?! - nos disse que para...
a ver por algumas parideiras que por aí e por aqui...
sim, se assim não fosse a humanidade não existia. ...
Maria, obrigada por leres o nosso blog. Beijinhos
Qual é o supremo verbo da humanidade, parir?!...Se...
outras cavalgadas
cavalgadas arquivadas
subscrever feeds