Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Parir.

 

- "(...) e não queres mais filhos?" 

- "hum...tive um problema de saúde e não posso."

- " oh que pena."

 

minto.

porque a primeira vez que disse "não", disseram que estava a ser egoísta, que ele tem o direito de ter filhos (isso eu também acho),e até, que corro o risco de a relação acabar.

curioso, porque as que conheço acabaram depois de chegar o filho.

O passo habitual que costumam dar os homens e as mulheres, os cavalos e as éguas, os bois e as vacas, a formiguinha e o formiguinho, a mim não me apetece.

Esta situação da relação sem filhos torna-se estranha. principalmente num jantar de família quando a minha filha diz à boca cheia, "mas tu não queres mais filhos". mudo imediatamente de assunto, pisco o olho ao meu parceiro, que esboça um sorriso cúmplice ,bebo um golo de vinho tinto e o jantar continua. afinal nós não queremos filhos, ficou esclarecido no inicio desta relação. Nós contrariamos a idéia pré-concebida que um homem e uma mulher juntam-se pela e para a maternidade.

Em tempos fui mãe. pari alguém no seio de uma família ávida de um rebento.

Como todos os seres do mundo que se esforçam por parir, desovar, pôr, chocar, criar, eu com quase 30 anos,  tive uma filha.

Fui mãe sem eu própria ter sido filha.

e por isto digo muitas vezes a mim mesma,que eu não nasci para ser mãe. como posso ser mãe se nunca fui filha? como hei-de compreender a minha filha se nunca passei pelo processo ?  eu queria ter sido filha, filha para sempre, até ao fim, mesmo velhinha, septuagenária e decrépita, apenas filha.

 

 

 

 

 



publicado por Ortlinde às 21:48 | link do post

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