Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Regressos do Amor

 

Quando tu apareceste,

penava eu nas entranhas mais profundas

duma cova sem ar e sem saída.

Esbracejava no escuro, agonizante,

ouvindo um estertor que esvoaçava

como o pulsar duma ave imperceptível.

Sobre mim derramaste os teus cabelos

e subi ao sol e vi que eram a aurora

cobrindo um alto mar de primavera.

Foi como se tivesse chegado ao mais formoso

porto do sul. Submergiam-se

em ti as mais lúcidas paisagens

claros, agudos montes coroados

de neve rosada. fontes escondidas

na crespa sombra dos bosques.


Aprendi a descansar sobre os teus ombros

e a descer por rios e encostas

a entrelaçar-me nos ramos estendidos

e a fazer do sono a minha morte mais doce.

Arcos me abriste e meus floridos anos

recém-erguidos para a luz repousaram

sob o amor da tua compacta sombra,

tirando o coração ao vento solto

e ajustando-o ao verde som do teu.

Ora adormecia, ora acordava sabendo

que não penava numa cova escura

esbracejando sem ar e sem saída.


Porque tinhas finalmente aparecido.



rafael alberti

 

 

 

[Não faço mais nadinha hoje...]



publicado por Brunhild às 16:47 | link do post | comentar

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