Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Violência doméstica: sem voz nem voto em casa

 

As mulheres também têm a sua quota parte de responsabilidade. Toleram, no início da relação, comportamentos abusivos. Aos poucos. Permitem, porque homem que é homem, que é macho, faz o que quer. Acham gracinha. Uma falta de respeito aqui, uma resposta torta ali. Uma cena de ciúmes acoli. Confundem doença com amor. Acreditam que ele muda...

Têm medo de ficar sozinhas. Porque ainda está enraizado na sua mentalidadezinha de mulherzinha que mulher é para casar, ter filhos, cuidar do maridão e da casa. E, se ficam solteiras, é porque ninguém as quer.

Preferem ficar presas - muitas vezes sem se aperceberem, ou quando se apercebem é tarde - a relações onde os respectivos as fazem sentir que não valem nada, que arruínam por completo o amor próprio da mulher. Esta acabada por se convencer que sem ele não é ninguém, que não vive. Socorro!

São relações doentias, mas que existem.

São relações vazias, que se pretendem para colmatar um outro vazio e/ou medo, chamado solidão.

Relações onde nada existe. Onde o carinho e a atenção é a excepção, em vez de ser a regra. E elas vão ficando. Sei lá porquê.

 

Infelizmente, a emancipação da mulher só serviu para estas poderem engatar gajos à vontade. Ou seja, para se tornarem gajos.

 

Eu tolero muita coisa. Às vezes, tolero demasiado, até. Mas se há coisa que eu não torelo, a ninguém!, é falta de respeito. Seja quem for.

Não me considero mais, nem melhor do que ninguém. Mas também não me considero menos, ou pior. Por isso, exijo que me tratem como mereço. E, no mínimo dos mínimo, isso implica respeitarem-me.

 

Eu sei que o assunto é muito mais complexo do que isto. Isto é só uma desabafo.

Mas o ser "demasiado complexo" por vezes é só uma desculpa para a nossa inércia.

Este não é um assunto que diga respeito só a quem dele padece. É um problema social e diz respeito a todos nós.



publicado por Brunhild às 12:42 | link do post | comentar

2 comentários:
De Mª dos Prazeres, Santa Comba Dão a 25 de Novembro de 2009 às 12:44
Nem de propósito cara Brun... esta semana tive mais um desses casos no meu estabelecimento. Eu tento porque tento e muito, morder-me toda para que o que penso não saia desta bocarra para fora mas acho que este meu não verbal não consegue enganar. Mulher de 45 anos, casada, com alguma autonomia financeira e... a mesma história de sempre: bateu-me, saiu por umas horas, chegou a casa a chorar, pediu desculpa, prometeu que não voltava a acontecer e eu desculpei...
E digo eu: durante quanto tempo aceitou desculpas?
Resposta: 15 anos

Blablabla e uns quantos ãh ãh...
Ela: coitadinho, como é que ele vai safar-se sozinho?

E como esta tenho várias...sempre com a mesma desculpa! Eles são uns animais, mas elas permitem...e basta "desculpar" a 1ª vez!


De Brunhild a 25 de Novembro de 2009 às 13:30
Quem nunca viu ou ouviu falar do mar, não sonha com ele. Eu acho que há mulheres que não sabem que há vida para além daquela que levam. E alguém as precisa de avisar disso. Depois, a decisão é delas.
E sim, também há casos de sucesso. Felizmente!


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